ESG+, faça você mesmo um índice de investimento mais responsável[ 5 min ]

Incomodado com as metodologias de índices ESG? Sente falta de alguma prática responsável nas organizações? Então conheça o ESG+, uma aplicação aberta à construção pela comunidade.

Por: Lenah Sakai | 27 maio 2022 | Collaborative Progress Licenseª.

No contexto dos debates sobre a efetividade do ESG (tripé de investimentos mais responsáveis), das boas práticas exigidas e da diversidade de metodologias existentes, surge a necessidade de uma solução eficaz.

O ESG+ (ESG Plus) foi criado para desmistificar o ESG e contar com uma construção colaborativa. Para isso ela utiliza de licença colaborativa e uma metodologia inteligente que pontua, classifica e permite a gamificação.

Trabalho colaborativo

Assim como o desenvolvimento de softwares e hardwares colaborativos, a ideia é disponibilizar a aplicação ESG+ com permissões colaborativas. Dessa forma, os investimentos mais responsáveis poderão contar com a inteligência coletiva.

Para isso, a ESG+ utiliza a licença CPL – Collaborative Progress Licenseª, ou seja, ela permite a distribuição e alteração da aplicação, desde que o trabalho original seja devidamente referenciado com o seu link e o novo trabalho adote a mesma licença e permissões. Isso significa que outras pessoas podem utilizar da ESG+ e criar a sua própria versão e melhorias. Podem também comercializar, bastando utilizar um nome diferente de outras versões existentes.

E o mais incrível é a principal lógica que faz a mágica dessa colaboração acontecer. Como as derivações adotam a mesma licença e permissões, todas as melhorias feitas em qualquer derivação poderá ser incorporada por qualquer outra derivação, incluindo à original. Isso permite que todos possam contar com a melhoria de todos. É aqui que entra o conhecimento da comunidade. A partir do compartilhamento ele vai se espalhando, acumulando e expandindo.

Porém, para que a comunidade possa colaborar, é necessário que o trabalho possua uma estrutura de fácil entendimento e pouco esforço de aprendizado. É por isso que a ESG+ foi construída sobre a metodologia 21 Scale.

Chega de índices complexos

O ESG surgiu para integrar fatores ambientais, sociais e de governança no mercado financeiro. Desde então, gestores de fundos de investimento e bolsas de valores criaram seus próprios índices ESG para avaliar e integrar investimentos em empresas mais responsáveis. A partir de então, uma das principais críticas da comunidade tem sido justamente a metodologia de avaliação.

A frustração de Elon Musk

Recentemente, considerado um gênio da tecnologia e dos negócios, Elon Musk, chamou o ESG de farsa ao saber que sua empresa, a Tesla, ficou de fora do índice S&P 500 ESG. Para ele, sua empresa de automóveis elétricos deveria ter se classificado visto os benefícios ambientais que promove ao avançar contra um dos maiores problemas do planeta, o aquecimento global. E sua principal crítica é a empresa Exxon, produtora de petróleo e gás, principais fontes de emissões de gases de efeito estufa, ter se classificado entre as dez mais bem pontuadas.

Esse caso possibilita uma rápida desmistificação sobre a avaliação ESG. O tripé não avalia somente o impacto socioambiental e nem deixa de fora questões de sobrevivência empresarial. Investidores precisam saber o quão sólidos são as organizações que irão aportar dinheiro.

Além disso, o responsável pelos índices S&P Dow Jones revelou que a Tesla perdeu muitos pontos por diversos problemas como a falta de código de conduta empresarial, falta de estratégia de baixo carbono e más condições de trabalho (Valor Investe, 2022). Ou seja, não basta a empresa ter uma solução inovadora para proteger o meio ambiente. Ela precisa apresentar consistência em outros trabalhos, o que geralmente, grandes e antigas empresas como a Exxon já tiveram muito mais tempo para desenvolver.

A metodologia 21 Scale

Então, para transparecer, desmistificar e eliminar possíveis subjetividades dos índices ESG, as boas práticas foram organizadas dentro da metodologia 21 Scale. Com isso, surgiu a ferramenta ESG+, uma aplicação que simplifica e facilita a análise ESG. Por meio de uma avaliação pragmática, com pontuação simples, é possível classificar as organizações e, a partir dos resultados, oferecer um panorama dos trabalhos e oportunidades de melhoria.

Resumidamente, com a metodologia 21 Scale, a aplicação ESG+ organiza o ESG em três partes (as boas práticas ambientais, sociais e em governança), cada parte em 7 tópicos. No total, são pontuados os 21 tópicos de forma padronizada. Com isso é possível obter uma pontuação final e classificar de 0 a 21 pontos o nível da organização analisada.

Com isso, os resultados são apresentados em um relatório lacônico. São organizados os três pilares, os 21 tópicos, as respectivas pontuações, a classificação e uma breve análise descritiva sobre os principais trabalhos e oportunidades no ESG.

E, claro, identificados os resultados, há ainda o bônus da gamificação.

Contendo a pontuação e a classificação, a organização poderá fixar materiais e manter visíveis as atuais conquistas e desafios. Dessa forma, os objetivos dos times podem fazer parte do dia a dia de forma transparente e clara. Isso auxilia num dos principais desafios de gestão, que é manter os colaboradores alinhados aos objetivos da empresa. Aliás, essa é a definição de organização: conjunto de pessoas trabalhando em prol de um objetivo em comum.

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ESG tem problema de conceito

Por fim, o último ponto, que na verdade, foi o motivador inicial para construir um ESG mais coerente aos princípios da ONU, a iniciadora do movimento. Como qualquer novo conceito, ele está sujeito a problemas e melhorias. Os conceitos abordados e defendidos no ESG não estão alinhados aos objetivos da própria ONU. A desvalorização de empresas bélicas e de segurança caminhando contra a manutenção da paz e da justiça, a adoção de cotas que inferiorizam raças e gêneros e trabalham contra a igualdade e a meritocracia, a falta de segurança energética e diversas outras boas práticas em favor à sobrevivência organizacional. Essas são algumas preocupações que podem ser resolvidas por meio de transparecer os critérios de análise acrescido da licença colaborativa.

Com as permissões de uso mais abertas é possível construir um ambiente desmistificador das boas práticas do ESG. Qualquer organização compreenderá os benefícios mútuos (empresa, sociedade e meio ambiente) para passar a impactar positivamente. O progresso colaborativo da licença permite a manutenção de construções democráticas. A diversidade de atores pode construir livremente as suas próprias aplicações, e, com isso, agregar seu repertório e visão.

O tripé de preocupações ESG+

Concluindo, podemos resumir em três principais problemas que originaram o ESG+:

  • A primeira preocupação foi conceitual. Muitas práticas ESG não estão alinhadas com os objetivos da ONU. No ESG+ isso foi corrigido.
  • A segunda preocupação foi com relação à diversidade de metodologias de avaliação e a dificuldade de analisar resultados diferentes para uma mesma empresa. Por isso, o ESG+ buscou padronizar a avaliação, com pontuações sem subjetividades (metodologia 21 scale) e apresentação de resultados de forma lacônica.
  • Já a terceira preocupação é a maior transparência para o público geral com relação aos critérios. Por meio da licença CPL – Collaborative Progress Licenseª, a abertura de discussão e derivações da aplicação ESG+ permite que todos contem com a melhoria de todos.

Esse tipo de desenvolvimento somente será possível se a comunidade da sustentabilidade se provar colaborativa. Esse é o “segredo” de tanto sucesso da comunidade da tecnologia. Uma cultura de colaboração inabalável, que colhe frutos inacreditáveis. Será que seremos capazes de fazer o mesmo?

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Lenah Sakai

Ex-atleta, green fellow (vegetariana, minimalista), trabalhando duro para tornar as organizações, os maiores impactadores do planeta, mais responsáveis. Formada em administração pela PUC-SP, há +10 anos atua em negócios e sustentabilidade. Fundadora do Green Business Post, co-fundadora da Ignitions Inc., do movimento Cultura Empreendedora, do DIRIAS, 1ª associação de direito digital do Brasil e da ABICANN, 1ª associação das indústrias de cannabis do Brasil. Hoje é gestora de uma rede de 5 milhões de pessoas do ecossistema empreendedor nacional e internacional.

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