Existe um futuro para a arquitetura open source?[ 5 min ]

A democratização da arquitetura por meio de licença open source e lógica de trabalho do DIY – Do it yourself poderão ser solução para o grande problema habitacional global.

Escrito por Kaley Overstreet, traduzido por Rafaella Bisineli | 20 junho 2022 | ArchDaily.

Em 2016, o ganhador do Prêmio Pritzker Alejandro Aravena anunciou que seu escritório, ELEMENTALhavia liberado os direitos a quatro de seus projetos de habitação social, e todos os documentos seriam disponibilizados em seu site para uso público. O objetivo de Aravena era iniciar um movimento em que os arquitetos trabalhariam juntos para enfrentar os desafios do mundo em torno da escassez de moradias e da acessibilidade econômica, especialmente com o aumento da migração.

Os conjuntos de desenhos compartilhados e uma descrição dos princípios do projeto fornecem aos arquitetos a documentação necessária para construírem uma casa de baixo custo, incentivando os projetistas a fazerem o mesmo com seu trabalho, os empreiteiros a ajudarem na construção dessas casas e os governos a mudarem seu pensamento sobre como eles podem abordar a urbanização em massa. Seis anos depois, como o conceito de arquitetura open source progrediu, e como isso impactou a profissão do arquiteto desde então?

A iniciativa de Aravena e da ELEMENTAL de abrir quatro de seus projetos, Quinta Monroy, Villa Verde, Lo Barnechea, e Monterrey, foi certamente benéfica para as comunidades que enfrentam restrições significativas de construção, financiamento e políticas públicas. Foi uma demonstração para mostrar os benefícios de fazer da arquitetura uma profissão mais centrada na colaboração e no compartilhamento de informações. Tanto agora, quanto no futuro, outros profissionais esperam que este conceito seja mais abrangente e liberatório para a arquitetura e acelere completamente os processos que muitas vezes atrasam e complicam a construção.

A arquitetura open source é uma ideia que assumiu muitas formas nas últimas décadas. À medida que a indústria da habitação sofre uma mudança de paradigma — não apenas nos estilos e nos processos através dos quais construímos, mas também em como os moradores têm uma influência crescente sobre os tipos de casas em que querem viver. O DIY ou “Do It Yourself” — Faça você mesmo deu origem ao movimento de arquitetura open source, ao remover certos papéis dos construtores no processo de projeto e construção.

Com imagens, projetos e instruções mais livremente disponíveis sobre como lidar com projetos de pequena escala, a arquitetura se tornou muito mais generalizada. Com a ascensão da Internet, a arquitetura open source se tornou mais amplamente disponível e compartilhável. Ela tem o potencial de romper as relações entre arquitetos e usuários, mas também cria novas soluções para uma crise habitacional contínua. Isto também se tornou uma ferramenta de ensino público, explicando aos que não possuem diplomas de arquitetura como ler plantas e compreender o espaço de forma tridimensional.

A arquitetura open source já existia de maneiras menores. Muitos sites disponibilizam detalhes de projetos de arquitetura, blocos CAD e figuras em escala para pós-produção que usamos diariamente. Eles oferecem a opção de carregar trabalhos individuais ou pedir emprestado de outros — muitas vezes de graça. Mas a arquitetura tem sido historicamente uma profissão para poucos, por isso, é vista como um luxo do qual nem todos podem participar. 

Em um artigo escrito por Carlo Ratti para o MIT sobre o tema da arquitetura open source, ele observa que apenas cerca de 2% dos projetos de construção global são projetados por arquitetos. Com a democratização que a arquitetura open source pode proporcionar, os edifícios podem servir melhor aos usuários, e não apenas aos desenvolvedores que se beneficiam de seus lucros. Por outro lado, a arquitetura sendo de autoria de todos, significa haver uma conversa adicional sobre quais necessidades um edifício deve atender.

O equilíbrio pode estar em mudar o papel do arquiteto para ser o de alguém que projeta a estrutura e os processos para que o leigo pode seguir. Mesmo aqueles com conhecimentos muito limitados conseguirão entender onde buscar os materiais, como mandá-los fabricar e quem pode ajudá-los com a montagem — essencialmente instruções para um conjunto gigante de Lego. Alguns críticos afirmam que este processo não funcionará e que a razão da exclusividade da arquitetura vem do fato de que existe um processo tão substancial na obtenção de licenças, e a responsabilidade vem dos projetos carimbados para garantir a segurança pública. 

O gesto de Aravena abriu a porta para aprofundar a conversa sobre como podemos tornar a arquitetura mais acessível para todos, mas ainda há um longo caminho a percorrer. No entanto, muitas pessoas concordam que a arquitetura é melhor compreendida através da exploração do aprender e do fazer. Quanto mais tentarmos compartilhar informações e instruir amplamente como construir, melhor nossa sociedade pode se tornar.

Fonte: ArchDaily. Imagens: Cortesia da Elemental.

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Lenah Sakai

Ex-atleta, green fellow (vegetariana, minimalista), trabalhando duro para tornar as organizações, os maiores impactadores do planeta, mais sustentáveis. Formada em administração pela PUC-SP, há +10 anos atua em negócios e sustentabilidade. Fundadora do Green Business Post, co-fundadora da Ignitions Inc., do movimento Cultura Empreendedora, do DIRIAS, 1ª associação de direito digital do Brasil e da ABICANN, 1ª associação das indústrias de cannabis do Brasil. Hoje é gestora de uma rede de 5 milhões de pessoas do ecossistema empreendedor nacional e internacional.

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