Não adianta evitar, ESG requer participação política[ 4 min ]

Ficar em cima do muro ou quieto no seu canto não preserva a reputação, não contribui com o ESG e só piora a construção da confiança perante os stakeholders. Já um posicionamento político claro demonstra fortes valores e autenticidade.

Por: Lenah Sakai | 03 março 2022 | Collaborative Progress Licenseª.

Mesmo o ESG não tendo sido criada para resolver os principais problemas globais dos ODS da ONU (O. Maia, 2022), ele se tornou algo muito maior do que apenas atingir métricas de desempenho para investimentos responsáveis. Ele é uma forma de provar o caráter organizacional e passar firmeza aos stakeholders.

Ao longo da minha jornada como investidora de empresas de alto risco, pela Ignitions Inc., e trabalhando diretamente na junção de negócios e sustentabilidade desde 2014, percebi que o principal motivo para a realização de analise de empresas é decidir se ela é confiável ou não (seja para consumir dela, investir financeiramente ou fazer trabalhos em conjunto). Sendo assim, se faz necessário identificar provas de caráter dos trabalhos que ela vem realizando.

E qual a melhor forma de provar o caráter organizacional? Alguns exemplos são: praticar valores, cumprir promessas, fazer tudo dentro da lei, além de pensar no próximo e nas futuras gerações.

Não desmerecendo todos os esforços empregados pelas empresas com ou sem fins lucrativos, ainda falta uma peça fundamental que compõe a base do tripé ESG. Essa peça chama-se participação política, essencial numa governança corporativa sustentável.

Por que a política é relevante para o ESG?

Pelo ponto de vista empresarial, faz sentido trabalhar duro em negócios que depois serão fechados por leis criadas por outros? São inúmeros riscos e tentativas até alcançar o êxito no mercado para deixar qualquer político criar leis ou influenciar juristas a acabar com tudo o que foi desenvolvido pela empresa de um dia para o outro. Sim, repito, de um dia para o outro.

Ou seja, participação política é questão de sobrevivência empresarial!

Vide o caso do Buser, serviço de fretamento de ônibus com preços acessíveis, lutando pelo direito de oferecer seus serviços e melhorar o setor de transporte por ônibus.

Ou o longo caso do Uber e os taxistas, que após anos de desacordos acabou em união.

E, agora, a lei de logística reversa que vai obrigar a indústria e o comércio de eletrodomésticos da recolha desses produtos por eles mesmos. Não era melhor os setores estarem próximos dialogando antes de ser criada qualquer medida abrupta, que claramente não considerou nem as empresas e nem os consumidores?

Enfim, decisões políticas definem a sobrevivência das iniciativas criadas pela população. Vai deixar outros decidirem pela empresa?

A falta de participação política demonstra que a governança da empresa deixa que atores externos definam, livremente, o futuro organizacional. Que confiança isso passa aos stakeholders?

As empresas são o poder da população

O ser humano sofreu por séculos para conquistar os poderes da população para que líderes empresariais não exerçam esses poderes por medo de desagradar alguém? É, no mínimo, falta de gratidão aos nossos antepassados.

Lembrando que nós como povo temos os três principais poderes:

  • da cidadania (o direito e dever do voto e da participação política);
  • do consumidor (poder de compra e demanda de soluções);
  • e da livre iniciativa (de criar suas próprias oportunidades e soluções).

Não basta apenas exercer o voto como pessoa física, as pessoas jurídicas também são afetadas pelas decisões das entidades governamentais. É dever empresarial participar das iniciativas democráticas, das assembleias legislativas de seus estados, acompanhar as propostas de leis, os deputados, seja por meio de associações do setor, seja enviando profissionais próprios ou terceirizados. Não há desculpa para quem vive em democracias.

Para não ficar somente em palavras

Recentemente, participamos do início da organização do setor da cannabis no Brasil, co-fundando a ABICANN, a primeira associação das indústrias da cannabis do país. Mesmo atuando dentro da lei, tudo direito, gerindo comunidades com cuidado, por meio de um código de conduta, o risco de sermos presos era real, só pela menção à planta; redes sociais bloquearam nosso conteúdo; levamos um ano para conseguir um CNPJ; bancos se negaram a abrir nossa conta financeira; recebemos ameaça de morte; recebemos ameaça de sermos perseguidos e fechados à força por líder regional de partido comunista, mas seguimos em frente, principalmente, em defesa da população suplicando por saúde.

Os movimentos sociais já estavam dando a cara a tapa há muitos anos, principalmente, as mães de crianças doentes que precisam desesperadamente do óleo da flor de cannabis para poderem ter o mínimo de qualidade de vida. Mas, ano após ano, eram negadas de fornecer o único tratamento eficaz para seus filhos.

Organizando a comunidade e conectando os atores, levamos a demanda para deputados e foi criada a primeira frente parlamentar de apoio à cannabis medicinal e o cânhamo industrial. Pouco a pouco o setor se fortalece, e mais medicamentos estão sendo aprovados pela ANVISA e tudo porque exercemos o maior poder de execução que existe, o poder de livre iniciativa da população.

De receio para responsabilidade

Como pode-se perceber, os defensores do setor da cannabis começaram como uma minoria esclarecida sobre aquele assunto. Mas a partir do momento que se posicionaram, dialogaram e desmistificaram os conhecimentos científicos, outros atores foram aparecendo e se unindo à causa.

Uma minoria vai se unindo a outras minorias, até que o conjunto de minorias se tornam a maioria. Isso é como funciona a democracia e é por isso que as empresas devem exercer seu papel político. Se unir ao setor, aos concorrentes, aos parceiros e stakeholders e colaborar para juntos, organizar e fortalecer as melhores práticas para o mercado com equilíbrios de interesse, mesmo que tenham que enfrentar os tão temidos ódios e cancelamentos online.

Já nos crucificam por sermos quem somos, ficar buscando aprovação é tolice. Melhor manter os valores e a autenticidade.

Não é responsável ficar calado e se curvar a ódios e autoritarismos alheios. É necessário posicionar-se, desmistificar, dialogar e defender os interesses da livre iniciativa, os interesses da população. Somente com um posicionamento claro, firme e manter-se coerente é possível conquistar a confiança do próximo e, assim, conseguir melhores resultados em governança e em ESG.

Além da participação política, estão faltando muitas boas práticas no ESG. Adicionamos muitas outras em nossa aplicação do ESG. Assine nossa newsletter e saiba de antemão sobre o lançamento dessa ferramenta!

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Lenah Sakai

Ex-atleta, green fellow (vegetariana, minimalista), trabalhando duro para tornar as organizações, os maiores impactadores do planeta, mais responsáveis. Formada em administração pela PUC-SP, há +10 anos atua em negócios e sustentabilidade. Fundadora do Green Business Post, co-fundadora da Ignitions Inc., do movimento Cultura Empreendedora, do DIRIAS, 1ª associação de direito digital do Brasil e da ABICANN, 1ª associação das indústrias de cannabis do Brasil. Hoje é gestora de uma rede de 5 milhões de pessoas do ecossistema empreendedor nacional e internacional.

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