40% do orçamento do bloco europeu prejudicam a mitigação do clima
Paradoxo Europeu: bilhões são gastos para proteger um setor, mas sabotam as boas práticas ambientais

Antonio Cabrera | Green Business Post | 23 maio 2025.
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Um questionamento fundamental tem sido posto sobre a crença arraigada de que a atividade agrícola requer, invariavelmente, o suporte de subsídios estatais. Esta discussão adquire contornos ainda mais prementes ao se observar o expressivo aumento nos montantes destinados a tais programas ao redor do globo.
Dados recentes indicam que os subsídios para o setor agrícola atingiram um patamar histórico, alcançando a cifra de 851 bilhões de dólares por ano no triênio compreendido entre 2020 e 2022. Tal volume representa um crescimento notável, multiplicando-se por duas vezes e meia desde o ano de 2000. Este programa de subsídios é qualificado como um dos maiores do mundo. Na União Europeia, sua proeminência é ainda maior, configurando-se como o item de despesa mais vultoso do orçamento central do bloco, consumindo 40% de seus recursos.
A literatura consultada aponta que a aplicação massiva destes subsídios culmina em uma agricultura caracterizada pela ineficiência. Uma das consequências diretas dessa condição é a dificuldade em competir no mercado global, especialmente quando comparada à agricultura brasileira. A dependência gerada é tamanha que, em nações como a França, o agricultor é descrito em termos que o aproximam da figura de um funcionário público. A argumentação central sustenta que, caso os agricultores europeus empregassem seus recursos com a mesma eficiência observada entre seus pares brasileiros, a necessidade de subsídios simplesmente desapareceria.
O Custo Oculto dos Subsídios para o Planeta
Ademais, a questão da ineficiência inerente ao modelo subsidiado estabelece um vínculo direto com as preocupações ambientais, particularmente no que tange às mudanças climáticas. A produção de cada quilograma de alimento subsidiado na Europa é apresentada como um indicativo de que o agricultor local não está otimizando a utilização de seus recursos disponíveis.
Nesse contexto, a defesa do comércio livre para o setor agropecuário é apresentada não apenas como uma medida de eficiência econômica, mas também como a estratégia mais eficaz para a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas. O livre comércio é proposto como o caminho ideal para atingir essa mitigação ambiental, promovendo a eficiência global na produção.
Não por acaso, a resistência manifestada pela Europa em relação à formalização do acordo comercial com o Mercosul é interpretada como um reflexo direto desta estrutura interna baseada em subsídios e ineficiência. Esta seria a motivação principal por trás da postura europeia.
Em suma, os dados e argumentos apresentados desafiam a noção de que o subsídio é um componente indispensável à atividade agrícola. O vultoso volume de recursos direcionados aos subsídios agrícolas, que atingiu recordes globais e representa uma fatia expressiva do orçamento europeu, parece fomentar um ambiente de ineficiência que compromete a competitividade internacional, notadamente em comparação com a agricultura brasileira. Esta ineficiência subvencionada, por sua vez, possui implicações ambientais diretas, sendo o comércio livre e a liberdade econômica no campo propostos como caminhos mais eficientes e alinhados com a mitigação climática. A análise sugere, assim, que a própria estrutura de subsídios europeia serve de obstáculo para a concretização de acordos comerciais como o do Mercosul.

