Você moraria em uma casa sustentável?
E se as casas fossem mais baratas de construir, gerassem sua própria energia e não prejudicassem o meio ambiente?
Por: Share America | 14 fev 2022.
Depois de se formar na Faculdade de Arquitetura em 1969, Michael Reynolds decidiu fazer dessa pergunta a missão de sua vida e provar que o lixo de uma pessoa é o tesouro de outra.
“Eu não estava tentando fazer um negócio gigante ou algo assim”, disse Reynolds. “Estava apenas fazendo isso por mim e meus amigos ao redor da vizinhança.”
Ele passou os últimos 50 anos projetando e construindo Earthships, que são casas autossuficientes — ou “embarcações”, como ele as chama — em Taos, no Novo México, e em todo o mundo.
Cada casa fornece meios para alimentação, água, energia, abrigo confortável, tratamento de águas residuais e reutilização de lixo. Reynolds garante que nenhuma das casas faz uso de combustíveis fósseis para aquecimento, o que significa que cada uma é neutra em carbono ao utilizar energia.
A visão de Reynolds resultou em mais de uma centena de estruturas “sustentavelmente autônomas” em Taos, e o movimento cresceu na última década. Ele estima que existam mais centenas delas nos Estados Unidos e em todo o mundo, do Canadá ao Malawi.
Reynolds teve a ideia de construir a primeira Earthship em 1970, assistindo ao noticiário noturno. Uma reportagem sobre a escassez de madeira no noroeste do Pacífico, seguida por uma sobre o excesso de latas de cerveja vazias, fez Reynolds se perguntar se havia uma solução para ambos os problemas.
“Todo o conceito de Earthship surgiu de mim respondendo à mídia quando a mídia estava me falando sobre os problemas que estamos vivenciando neste planeta”, disse ele.
Ele construiu sua primeira casa usando latas de cerveja como isolamento dentro de blocos de construção — uma técnica que ele patenteou mais tarde. Assim que as cervejarias souberam, elas financiaram todo o projeto de construção, diz ele.
Ele rapidamente percebeu que queria construir mais casas onde os moradores tivessem tudo o que precisavam para sobreviver — ou seja, alimentos, água, abrigo e tratamento de águas residuais — ao mesmo tempo em que reduzia sua pegada ambiental.
Cerca de 40% de cada Earthship é construído com materiais naturais ou reciclados, e produz alimentos suficientes para atender de 25% a 50% das necessidades do morador, se o proprietário plantar uma horta.
As Earthships também fornecem abrigo por meio de paredes externas encravadas na terra e da construção de lajes grossas isoladas com lixo reaproveitado — como pneus e garrafas de vidro — que mantém cada unidade aquecida durante o inverno e fresca no verão. (Uma Earthship típica de 140 metros quadrados usa mil pneus e até 500 garrafas de vidro nas paredes.)
Painéis solares alimentam a unidade e grandes barris captam, armazenam, reciclam e tratam a água da chuva para todos os fins de encanamento — mesmo usando águas residuais advindas de todas as fontes domésticas, como chuveiros e pias, exceto vasos sanitários, a fim de regar hortas em ambiente fechado e ao ar livre, onde os alimentos são cultivados.
“Precisamos avançar mais rápido em direção à inovação”, disse ele. “E é possível. Nós temos os mecanismos.”
Outros arquitetos e designers nos Estados Unidos seguiram os passos de Reynolds, incorporando materiais reciclados na construção de suas casas. Dois exemplos são a Wonder Haus no Colorado* e a Cork House no Texas*.
Se não for possível construir uma casa totalmente nova com materiais reciclados, Reynolds recomenda ajustes para tornar as casas existentes sustentáveis e favoráveis ao clima, como a instalação de painéis solares e o foco na conservação da água.
“O sol brilha em minha casa — isso significa que posso ter eletricidade. A chuva cai em minha casa — isso significa que posso ter água”, disse ele. “Precisamos facilitar a transição rumo à sustentabilidade.”



Fonte: Share America. Imagens: Ramsey de Give | Washington Post | Getty Images.