O Espelho Digital do Comando: Uber Cria “Clone de IA” do CEO para Blindar Decisões
Funcionários utilizam versão algorítmica de Dara Khosrowshahi para refinar propostas antes do “crivo real”, elevando a eficiência interna e provocando debates sobre o futuro do capital humano.

Redação | Green Business Post | 26 fev 2026.
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Resumo da pauta:
- Simulação de Liderança: Engenheiros da Uber desenvolveram o “Dara AI”, um chatbot que mimetiza o estilo de questionamento do CEO.
- Eficiência em Pauta: A ferramenta é usada para treinar apresentações, antecipar críticas e ajustar dados antes de reuniões decisivas.
- Giro ESG: A iniciativa toca em pontos sensíveis de Governança (G) e Social (S), questionando a transparência e a substitutibilidade do trabalho.
- Substituição Técnica: Khosrowshahi afirma que a troca de humanos por IA só ocorrerá quando modelos aprenderem em tempo real.
A Uber acaba de levar o conceito de “treino difícil, jogo fácil” para o nível corporativo 4.0. No centro da estratégia está o Dara AI, um clone digital de Dara Khosrowshahi, CEO da gigante de mobilidade. O objetivo não é (ainda) substituir o executivo, mas servir como um “sparring” de luxo: os funcionários apresentam seus projetos ao bot para serem bombardeados com as mesmas perguntas ácidas e análises que o Dara de carne e osso faria.
O “Avatar do Chefe” é uma Ferramenta ou um Sintoma?
Se você já sentiu aquele frio na barriga antes de uma reunião trimestral, a Uber criou o antídoto digital. O uso de IAs generativas para simular personas de liderança é o ápice da eficiência operacional. Ao “limpar” erros e inconsistências em um ambiente controlado, a empresa reduz o desperdício de tempo da alta gestão. No jargão de negócios, estamos falando de otimização de C-Suite bandwidth (a capacidade de processamento e tempo dos executivos do topo).
Governança Algorítmica: Onde Fica a Ética do “Double”?
No espectro do ESG (Environmental, Social, and Governance), essa prática acende luzes amarelas no pilar de Governança. Se as decisões são pré-filtradas por um algoritmo que replica o viés do CEO, onde fica a diversidade de pensamento? Uma governança robusta exige o contraditório, não apenas o refinamento do que o líder já aprova.
Por outro lado, o impacto no pilar Social é imediato: o “Dara AI” aumenta a produtividade dos engenheiros em cerca de 25%. Contudo, o próprio Khosrowshahi já sinalizou que, no futuro, a empresa pode preferir investir em GPUs (unidades de processamento gráfico, o “cérebro” da IA) do que em novas contratações humanas.
A Máquina Pode Ter o “Faro” do Dono?
O grande debate aqui é sobre a substitutibilidade. Khosrowshahi foi honesto: ele acredita que todos somos substituíveis, mas impõe um marco técnico. Para ele, a IA só assumirá o comando quando for capaz de aprendizado em tempo real — ou seja, reagir ao mundo enquanto os fatos acontecem, sem depender de bases de dados estáticas.
Até lá, o “Dara AI” segue sendo um simulador de voo. Ele prepara a equipe para a turbulência, mas quem ainda segura o manche e assume a responsabilidade ética (e legal) pelos passageiros é o humano.
Explicando o termo Governança:
No mundo ESG, a Governança (G) refere-se a como uma empresa é administrada. Pense nisso como as “regras da casa” que garantem que os donos e diretores não façam o que bem entendem, protegendo acionistas e funcionários.
Fontes:
Uber employees have an AI clone of CEO Dara Khosrowshahi – Business Insider

