Mercado de Carbono na Amazônia: Solução Climática da COP30 ou Licença para Poluir às Custas da Região?
Enquanto se discute o mercado de carbono na Amazônia, os grandes poluidores globais poderiam estar usando isso como um “aval” para continuar suas emissões. Cientista da região alertam para a hipocrisia de um sistema que permite a poluição mediante pagamento, sem impacto real no clima global.

Redação | Green Business Post | 22 abr 2025.
Follow us, the conscious ones: Google News | Newsletter.
A voz da floresta ecoa com uma dissonância surpreendente em relação às promessas da COP30. Enquanto a agenda global se volta para a Amazônia como um bastião climático essencial, atores locais questionam veementemente essa centralidade, apresentando argumentos que desafiam as narrativas dominantes. Seria a Amazônia realmente o “pulmão do mundo” ou um território estratégico para a sobrevivência de seu povo?
1% do Planeta Ditando o Clima Global?
Um cientista geógrafo com vasta experiência de campo argumenta de forma contundente: a superfície da Amazônia representa apenas 1% da área global do planeta. Em comparação com os vastos oceanos (360 milhões de km²) e os continentes (150 milhões de km²), os 5 milhões de km² da Amazônia brasileira e os 6 milhões de km² da internacional seriam insuficientes para “mudar, equilibrar, alterar” o clima mundial. Essa perspectiva lança uma sombra sobre a visão da Amazônia como um regulador climático global imprescindível.
A retórica inflamada do especialista questiona a própria base das políticas climáticas globais direcionadas à região. “A Amazônia não muda, não equilibra, não altera, não faz nada com relação ao clima do mundo. Isso é uma grande mentira”, afirma, ecoando um sentimento de que a importância da Amazônia é superestimada no contexto climático global.
A prioridade para essa voz local reside na sobrevivência e no uso dos recursos naturais da Amazônia pelo seu povo. A lógica é pragmática e desafiadora: diante de uma chance mínima de sobrevivência em uma situação adversa, o foco deve ser nesse “1% do mundo que não muda o clima do planeta nem equilíbrio”. A questão central se torna: como as comunidades locais podem prosperar utilizando seus recursos, em vez de se submeterem a ditames externos sobre como gerir seu território?
A visão de mundo apresentada pelo cientista minimiza a influência humana no clima em comparação com forças naturais históricas. As eras de gelo e os períodos de calor, assim como o impacto de grandes erupções vulcânicas capazes de alterar o clima em meses, são trazidos à tona para relativizar a atual preocupação com as emissões de CO2. A composição da atmosfera é dissecada em termos percentuais, com o CO2 representando apenas 0,003%, levantando dúvidas sobre a magnitude do impacto de pequenas variações nesse índice.
Mercado de Carbono: Aval para Poluir na Amazônia?
A imposição de “amarras” e a retórica de “2% de matemática” são vistas com ceticismo, sugerindo que as metas de redução de emissões podem ser desproporcionais e prejudiciais aos interesses locais. A crítica se estende ao mercado de carbono, qualificado como um “aval para poder poluir”, onde se paga para continuar a poluir, levantando questionamentos sobre a sua eficácia e justiça.
Em contraposição à visão da Amazônia como protagonista climática, o cientista aponta para o papel dos oceanos e do Sol como reguladores do clima mundial. Essa perspectiva descentraliza a importância da floresta amazônica na dinâmica climática global, deslocando o foco para outros fatores de grande escala.
“Pulmão do Mundo” ou Prioridade Local?
A desconfiança em relação às ONGs atuantes na região é palpável, sugerindo uma percepção de que seus interesses podem não se alinhar com as necessidades e aspirações das populações locais. Essa ressonância local levanta uma questão crucial para a COP30: como conciliar as agendas globais de sustentabilidade com as perspectivas e prioridades daqueles que efetivamente habitam e dependem da Amazônia?
A provocativa argumentação serve como um alerta para a necessidade de um diálogo mais profundo e inclusivo, que vá além das narrativas hegemônicas e considere as vozes, por vezes dissonantes, que emanam do coração da floresta. Para os profissionais ESG e cientistas, compreender essas perspectivas locais é fundamental para a construção de políticas ambientais mais eficazes e justas para a região amazônica.
Fonte: o texto teve como base o vídeo a seguir: