Escopo 3: Seu Calcanhar de Aquiles ESG? Descubra Como Financiar a Circularidade da Sua Cadeia de Fornecedores com uma Lei de Incentivo!

De Rejeito a Riqueza: Por Que a Economia Circular É o NOVO Setor Econômico Bilionário e Como Sua Empresa Entra Nesse Jogo COM VANTAGENS Fiscais.

Redação | Green Business Post | 10 junho 2025.

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A economia circular é frequentemente mal compreendida como sendo apenas sobre reciclagem. No entanto, esta é uma visão limitada de um conceito muito mais abrangente e fundamental para a sustentabilidade corporativa e as práticas ESG (Ambiental, Social e Governança). Para desvendar essa complexidade, o Green Business Post entrevistou Jamile Balaguer, pioneira em prestação de serviços ESG de economia circular no Brasil, consultora com mais de 20 anos de experiência e diretora de economia circular da Grand Thornton e fundadora da Biocicla.

O que é Economia Circular?

Uma visão ampliada Jamile Balaguer, que também é conselheira e coordenadora do GT de economia circular na ABRAPS (Associação Brasileira de Profissionais para o Desenvolvimento Sustentável), explica que o conceito vai muito além da simples ação de reciclar. Ela, que cresceu em um ambiente que prezava o reaproveitamento devido à fábrica de guarda-chuvas de seu avô, faz uma distinção crucial:

  • Lixo: O que não tem tratamento.
  • Resíduo: Aquilo que pode ser tratado e tem valor.
  • Rejeito: O que não pode ser tratado de forma alguma e precisa ser descartado, geralmente enterrado.

A economia circular, segundo a Ellen MacArthur Foundation (pioneira no tema), baseia-se em três princípios fundamentais:

  • 1. Eliminar a geração de resíduos e poluição.
  • 2. Manter materiais em circulação sem que percam seu valor.
  • 3. Regenerar a natureza, repondo o que foi retirado para produção.

Além da reciclagem, outros “Rs” são cruciais. Jamile destaca o reuso, exemplificado pelo crescimento de brechós no Brasil e no exterior, e o repensar – questionar a necessidade de uma compra antes de efetuá-la.

Cenário Global e Brasileiro: Desafios e Oportunidades O mundo ainda tem um longo caminho a percorrer em economia circular. Pesquisas anuais da Circle Economy mostram que apenas 7,2% do mundo é circular, um número baixo que inclui países como a Escandinávia (80-90% circular) e outros próximos de 0%. No Brasil, a média de reciclagem de resíduos sólidos urbanos é de apenas 4%, com algumas estimativas chegando a 7%. Apenas 10-20% das mais de 5.000 cidades brasileiras possuem coleta seletiva. O ideal de circularidade seria de 90% ou mais.

Apesar do baixo índice geral, o Brasil se destaca em casos específicos. A reciclagem de latinhas de alumínio atinge quase 99%, sendo reconhecida mundialmente. Este sucesso, no entanto, é atribuído mais a um fator social – a criação de empregos para catadores – do que a uma conscientização ambiental generalizada.

Regulamentações e Incentivos no Brasil

O ambiente regulatório brasileiro tem evoluído para impulsionar a economia circular:

  • Crédito de Reciclagem: Empresas que colocam embalagens no mercado têm a obrigação de reciclar uma porcentagem delas. Para bens de consumo, essa obrigação é de 22% do volume. As empresas pagam cooperativas ou tratadoras de resíduos para cumprir essa meta, operando de forma similar aos créditos de carbono.
  • Lei de Incentivo à Reciclagem: Lançada em dezembro, permite que empresas (até 1% do Imposto de Renda devido) e pessoas físicas (até 6%) direcionem parte de seu IR para projetos de reciclagem aprovados pelo Ministério do Meio Ambiente. Esses projetos devem detalhar objetivos, indicadores de desempenho, plano de trabalho e orçamento.

Uma ideia que pode inspirar outros países a adotarem leis de incentivos a áreas que precisam acelerar seu desenvolvimento rapidamente por causas sociais e ambientais.

🎋 Cesto de Bambu 1

O mais vendido em cestos de roupa, com 5.290 compras, é um produto mais ecológico de origem renovável, mais minimalista, além de contribuir para um ambiente mais calmo e acolhedor, é resistente à mofo e bactérias e possui uma tampa, o que contribui para inibir maus odores em seu lar.

Possui um volume próximo ao padrão de lavanderias, e, por isso, basta levar suas roupas com o forro removível quando o cesto estiver cheio.

🎋 Cesto de Bambu 2

Certificado pela FSC, ou seja, de origem auditada, com mais de 450 vendas, o cesto é feito de material natural e renovável, resistente à mofo e bactéria, contribui para um ambiente mais calmo e acolhedor.

Seu forro possui duas áreas para separar roupas de lavagens diferentes, mas é versátil e pode ser usado para armazenar outros materiais, como brinquedos, roupas de cama, livros etc.

Desafios para a Implementação Corporativa

Um dos maiores desafios é a justificativa financeira. Jamile enfatiza que, para a sustentabilidade ganhar tração no ambiente corporativo, ela precisa demonstrar benefícios financeiros: redução de custos, despesas ou geração de receita. Pesquisas da Deloitte Internacional com executivos globais apontam o CFO (diretor financeiro) como figura-chave na sustentabilidade devido à necessidade de encaixe no orçamento. Exemplos como a redução de 30% de desperdício de tecido em confecções através de redesenho de moldes, ou o sucesso da energia fotovoltaica (que se paga rapidamente), ilustram como a lógica financeira impulsiona a adoção. A intangibilidade de ganhos sociais, de imagem de marca ou fidelidade do cliente ainda dificulta a quantificação do ROI (retorno sobre investimento) em muitos casos.

Outro desafio significativo é o Escopo 3 do Global Reporting Initiative (GRI), que envolve a cadeia de fornecedores. Embora a compra sustentável seja uma prática “tangível”, implementá-la em toda a cadeia de fornecedores, garantindo critérios de circularidade como tratamento de resíduos, uso de energia limpa e reuso de água, é um grande desafio.

Modelos de Sucesso e Boas Práticas

A economia circular se manifesta em diversos modelos aplicados globalmente:

  • Compras Sustentáveis: Integrar critérios de circularidade na seleção de fornecedores (e.g., tratamento de resíduos, energia limpa, reuso de água).
  • Ciclo de Vida Útil de Embalagens: Empresas como Unilever, Johnson & Johnson e Quaker, em consórcio liderado pela TerraCycle, recolhem embalagens para refil e reuso.
  • Economia do Compartilhamento: Bibliotecas são um exemplo clássico, onde a propriedade não é necessária para o uso (compartilhamento de livros).
  • Produto como Serviço (Product-as-a-Service): Em vez de vender produtos, vende-se o serviço que eles oferecem, como Netflix e Spotify substituindo CDs e DVDs.
  • Desfibramento de Tecidos: Retalhos e materiais descartados de confecções são transformados em novos fios para tecelagem, gerando valor a partir do que antes era visto como lixo.
  • Casos Corporativos de Destaque no Brasil:
    • Farmax: Tem a meta de reciclar 100% de suas embalagens até 2026, com 80% já planejados para 2025 via crédito de reciclagem.
    • Heineken: Exemplo de atuação em ESG e economia circular, buscando tornar seus frascos retornáveis e investindo em conscientização do consumidor.
    • Coca-Cola Brasil: Reconhecida internacionalmente por suas fortes iniciativas de reciclagem, apesar de críticas globais à empresa.
    • Instituto CPFL: Focado em educação sobre economia circular, cria jogos educativos com uniformes descartados para colaboradores e escolas.

A Mensagem Final: Educação e Conscientização

Para Jamile Balaguer, a prática fundamental para o sucesso na economia circular é comunicar e educar. É essencial integrar boas práticas e alinhá-las ao modelo de negócio, buscando sempre o benefício socioambiental e financeiro. A economia circular representa um novo setor econômico com vasto espaço para desenvolvimento no Brasil e no mundo, demandando o engajamento de todos, pois “todo mundo é responsável pelos seus resíduos”.

Assista nossa conversa completa no Interjeições:

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