Brasil no Centro da Industrialização Verde Global: Powershoring Promete um Futuro Sustentável
Rico em energias renováveis e com uma matriz elétrica predominantemente limpa, o país se posiciona como um polo de atração para empresas globais em busca de descarbonização e eficiência.

Redação | Green Business Post | 23 mar 2025.
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O Brasil vislumbra um futuro promissor na industrialização verde através do conceito de powershoring. Em um cenário global de urgência na redução das emissões de gases de efeito estufa, nações com vasta disponibilidade de fontes de energia limpa, seguras, acessíveis e abundantes, como o Brasil, emergem como protagonistas. A riqueza brasileira em recursos renováveis – hidrelétrica, solar, eólica, biomassa, biogás e biocombustíveis – confere ao país uma vantagem competitiva crucial para o desenvolvimento do powershoring.
O que é o powershoring?
O termo powershoring se refere à descentralização da produção para países próximos aos centros de consumo que oferecem um alto potencial de energias renováveis, com o objetivo de atrair investimentos industriais. O CAF – Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe tem liderado essa agenda na região e recentemente estabeleceu uma parceria com a Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT para atender à crescente demanda por normas técnicas no âmbito do powershoring. O CAF promove um modelo de desenvolvimento sustentável através de operações de crédito, recursos não reembolsáveis e apoio técnico e financeiro a projetos nos setores público e privado da América Latina.
Jorge Arbache, vice-presidente do CAF, define powershoring como uma estratégia empresarial em tempos de descarbonização focada na produção eficiente para exportação. Ele ressalta que este conceito é particularmente relevante para empresas estrangeiras, uma vez que o Brasil já possui um ambiente de produção com emissões relativamente baixas em comparação com padrões internacionais, impulsionado por uma matriz elétrica majoritariamente verde. Para empresas estabelecidas no Brasil, essa vantagem já é uma realidade.
Qual a relação entre powershoring e o Brasil?
O powershoring representa uma grande oportunidade para o Brasil e outros países da região, permitindo atender aos interesses de empresas estrangeiras através da atividade econômica, além de beneficiar o país social e economicamente e impulsionar o financiamento climático. Este financiamento pode ocorrer por meio de empréstimos no mercado, através do apoio financeiro de países desenvolvidos para a agenda climática, ou pela integração em cadeias de valor onde o Brasil possui vantagens comparativas. O CAF defende que esta última abordagem é a forma mais sustentável de financiamento climático.
Os benefícios do powershoring para o Brasil são vastos, com destaque para a região Nordeste, que possui um potencial significativo devido a fatores geográficos e naturais, como a disponibilidade de energia eólica e solar, a proximidade com a Europa e os Estados Unidos, e a presença de portos e zonas industriais abastecidas por energia verde6 . Em suma, o powershoring favorece o clima ao acelerar a descarbonização global, beneficia as empresas ao mitigar custos de energia e aprimorar o compliance ambiental, e atende aos interesses dos consumidores. Além disso, auxilia os governos a alcançar as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e reduz o custo da transição energética, substituindo produtos intensivos em emissões por alternativas verdes.
O papel da normalização
A normalização desempenha um papel crucial no powershoring, definindo critérios para o que é considerado “limpo” em diferentes processos e produtos, como aço verde, manufatura verde e cimento verde. A ABNT, como parceiro estratégico do CAF, atua nesse sentido, estabelecendo normas que trazem vantagens competitivas aos negócios e abrem novos mercados.
O CAF está ativamente negociando linhas de crédito com instituições brasileiras para financiar investimentos na área de powershoring. O Brasil possui condições favoráveis para atrair investidores e clientes interessados nessa estratégia, dada sua matriz energética predominantemente verde, a maior reserva de água doce do mundo, abundantes reservas minerais para a nova economia, a vasta Floresta Amazônica e biodiversidade, além de ser um grande produtor de alimentos e pioneiro em biocombustíveis, com potencial para sediar um mercado global de créditos de carbono e bioeconomia. Instituições financeiras de desenvolvimento brasileiras, como o BNDES, já estão trabalhando na criação de instrumentos financeiros para viabilizar investimentos em infraestrutura para powershoring em diversas regiões do país. O Ministério de Indústria e Comércio também está preparando uma nova política industrial que abordará diretamente este tema.
O Brasil se destaca na agenda de transição energética, com 93% de sua matriz elétrica já considerada verde. Este resultado é fruto de ações implementadas ao longo de décadas, colocando o país à frente de muitas nações que ainda estão investindo para alcançar patamares semelhantes até 2050. Embora outros países da região possam ter matrizes ainda mais verdes, sua capacidade de acomodar a demanda do powershoring é menor devido ao seu tamanho.
Quais os desafios?
Apesar do cenário promissor, existem obstáculos internos e externos a serem superados. Os desafios internos incluem riscos ao investimento, como segurança jurídica e acesso a financiamento. Já os riscos externos se referem principalmente a barreiras tarifárias e não tarifárias, que têm sido objeto de debate com a ABNT. Alguns países têm adotado políticas protecionistas e subsídios para produtos verdes, visando proteger seus mercados internos, mesmo tendo se apresentado como defensores do livre comércio.
Diante desses desafios, a defesa da agenda climática passa pelo fomento do comércio e do investimento. A economia circular, que busca a máxima eficiência e o uso racional de recursos escassos através do reaproveitamento e tratamento de resíduos, desempenha um papel fundamental na construção de uma base de sustentabilidade mais ampla. Tecnologias emergentes como o hidrogênio verde, a energia eólica e solar (com custos operacionais em queda), além de debates sobre minerais de terras raras e biocombustíveis para combustíveis de aviação sustentáveis (SAF), impulsionam essa transição.
A parceria entre o CAF e a ABNT é vista como crucial para enfrentar as agendas regulatórias que podem impactar negativamente a América Latina e o Brasil. Muitas formas de protecionismo se manifestam através de obstáculos não tarifários, como certificações e normalização. O trabalho conjunto visa definir o que é powershoring, estabelecendo conceitos e padrões que ofereçam segurança aos investidores.
Fonte: FBS Comunicação.