Orlando Bloom Gasta £10 mil em ‘Detox de Plástico’: Fim da Contaminação?

Enquanto a estrela de Hollywood busca uma solução de luxo para a onipresença dos microplásticos em seu sangue, a ciência cética e a realidade da poluição global lançam luz sobre um desafio crítico que a sustentabilidade corporativa não pode mais ignorar.

Redação | Green Business Post | 16 junho 2025.

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A Aposta Cara de uma Celebridade Contra a Poluição Invisível

O renomado ator Orlando Bloom, conhecido por seus papéis em “O Senhor dos Anéis” e “Piratas do Caribe”, gerou burburinho ao revelar ter se submetido a um tratamento inovador em Londres para remover microplásticos e substâncias tóxicas de seu sangue. O procedimento, batizado de ‘Clari’, custa aproximadamente £10 mil (equivalente a cerca de €11.800, USD12.700 ou R$ 75 mil). Foi realizado na Clarify Clinics, que se autodenomina a primeira clínica do mundo a oferecer tal serviço.

Bloom expressou gratidão em suas redes sociais (Instagram), descrevendo-o como “uma nova forma de remover microplásticos e produtos químicos tóxicos dos nossos corpos”.

A clínica afirma que o Clari é capaz de eliminar entre 90% e 99% dos microplásticos do sangue, prometendo também a redução da inflamação corporal – um fator associado a doenças graves como câncer e distúrbios neurológicos por alguns pesquisadores. O tratamento de duas horas envolve a extração do sangue, separação do plasma, sua purificação em uma máquina de “químicos, microplásticos, inflamações, toxinas e venenos“, e posterior reintrodução no corpo.

Ciência Cética: Luxo sem Evidências Conclusivas?

Apesar do otimismo de Bloom e das alegações da Clarify Clinics, a comunidade científica e médica expressa um ceticismo considerável. Especialistas ressaltam que o procedimento ‘Clari’ não possui eficácia cientificamente comprovada. O professor emérito da Universidade de Exeter e pesquisador Edzard Ernst, uma voz proeminente na medicina complementar, questiona veementemente a falta de “evidências confiáveis que demonstrem que o procedimento tenha algum dos efeitos alegados na saúde humana”. Ele ironiza, afirmando não ter certeza “se ele retira algo do paciente além de muito dinheiro”.

A Dra. Mousumi Mukherjee, do NHS, também levanta dúvidas sobre a justificativa do alto custo do tratamento e a ausência de estudos que comprovem sua segurança e benefícios, além de alertar para possíveis efeitos colaterais. Críticos apontam que, embora microplásticos (fragmentos menores que 5 milímetros) tenham sido de fato encontrados no sangue, órgãos e até no cérebro humanos, há poucas evidências que comprovem que essas partículas causam danos diretos ao corpo ou que filtrá-las trará benefícios reais à saúde. Em resposta às acusações de que o tratamento seria um “golpe caro”, David Cohen, inventor do processo Clari, defende que os críticos deveriam “olhar para a pesquisa e os resultados que as pessoas estão vendo no hospital e na clínica”. O serviço não é coberto pelo Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS), tornando-o acessível apenas para aqueles que podem arcar com o custo considerável.

Microplásticos: O Desafio Urgente para Empresas e Sociedade

A saga de Orlando Bloom, independentemente da eficácia do tratamento, serve como um poderoso holofote sobre uma preocupação global crescente: a contaminação por microplásticos. Estes minúsculos fragmentos, onipresentes em nosso ambiente e agora em nossos corpos, representam uma ameaça à saúde humana e ecossistemas. A presença de microplásticos no sangue, órgãos e até no cérebro humano sublinha a extensão da poluição plástica, que excede a capacidade de adaptação biológica, como aponta a própria clínica: “A evolução não consegue acompanhar. Clari está aqui para ajudar — até que a evolução acompanhe”.

Para os profissionais de ESG (Environmental, Social, and Governance), esta notícia ressalta a urgência de repensar as cadeias de produção, o descarte de resíduos e a inovação em materiais. Mesmo não havendo evidências suficientes para comprovar danos à saúde humana, o plástico não deveria estar dentro de nosso corpo, ou seja, não é algo natural e deve ser foco de pesquisa e estudos sérios. Empresas que ignoram a pegada de plástico de seus produtos e operações arriscam não apenas a reputação, mas também futuros custos de saúde pública e regulamentações mais rígidas. O caso de Bloom é um lembrete vívido de que a poluição plástica é um problema que literalmente entrou em nossa corrente sanguínea, exigindo soluções sistêmicas e um compromisso inabalável com a sustentabilidade e a responsabilidade corporativa.

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Solução definitiva?

Considerando o desafio global da contaminação por microplásticos, a iniciativa de Orlando Bloom levanta uma questão crucial que se estende para além da eficácia imediata do procedimento ‘Clari’. Embora o suposto tratamento envolva a extração e purificação do plasma sanguíneo para remover microplásticos, toxinas e inflamações, antes de reintroduzir o sangue purificado no corpo, é importante notar que esta não seria uma solução definitiva para a contaminação.

Dada a onipresença dos microplásticos no ambiente e a constante exposição humana a esses materiais por meio da alimentação e do contato diário, a recontaminação do corpo é inevitável e contínua. Além disso, outros compostos tóxicos também se acumulam constantemente no organismo. Isso sugere que o procedimento, que se assemelha a um processo de filtragem do sangue, precisaria ser realizado de forma recorrente para manter os supostos benefícios, embora não com a mesma frequência de uma hemodiálise, aparentemente. Este aspecto ressalta a complexidade de lidar com a poluição invisível e a necessidade de soluções sistêmicas para a origem do problema, e não apenas para seus sintomas no corpo humano.

Fonte: Daily Mail, SBT News, Jerusalem Post.

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