Seleção foi feita pelo GT Agenda 2030 e pelo IDS por meio de chamada pública, que recebeu 74 propostas, e levou em conta o potencial de impacto socioambiental positivo | Imagem: Fábrica Social ITI – divulgação.
Saiu a lista dos 10 projetos considerados as soluções mais inovadoras de 2021 para implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) no Brasil. A seleção foi feita pelo Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para a Agenda 2030 (GT Agenda 2030) e o Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS) a partir de uma chamada pública que recebeu 74 inscrições e permaneceu aberta entre os dias 8 de fevereiro e 5 de março deste ano. O principal critério utilizado pela equipe de curadoria foi o potencial de impacto socioambiental positivo dos projetos.

As 10 soluções vencedoras participarão do III Seminário de Soluções Inovadoras para o Desenvolvimento Sustentável, previsto para o mês de junho, e farão parte de uma publicação para que sejam conhecidas por potenciais apoiadores e investidores. Também receberão mentoria qualificada sobre planejamento estratégico, mapeamento de atores, indicadores de impacto, entre outros assuntos de interesse para bons modelos de negócios. A ação tem o apoio da plataforma Prosas e financiamento da União Europeia.

Puderam ser inscritos programas, projetos ou tecnologias desenvolvidas por organizações da sociedade civil ou instituições de ensino e pesquisa, com CNPJ ativo, dotadas de alto potencial de impacto e que estejam em busca de apoiadores para ampliar seu alcance. A solução precisa estar implementada e evidenciar inovação técnica, de gestão e/ou de relacionamento com partes interessadas, além de gerar impacto socioambiental positivo capaz de contribuir para a implementação dos ODS rumo a 2030.

As soluções deveriam se enquadrar em uma das quatro categorias do edital: A. Melhoria da saúde e educação básica; B. Cidades sustentáveis, disponibilidade de recursos básicos (água, saneamento, energia) e combate às mudanças climáticas; C. Segurança alimentar, melhoria da nutrição e promoção da agricultura sustentável; D. Contribuição para igualdade de gênero e empoderamento de mulheres e meninas. A solidez da ideia, o nível de inovação, a capacidade de articulação com multiatores, o potencial de multiplicação e replicabilidade, a viabilidade operacional, a capacidade de avaliação e monitoramento e a sustentabilidade financeira foram alguns dos critérios utilizados na seleção.

Confira as 10 soluções selecionadas:

Alimentação e saúde para o bem viver – Desenvolvida pelo Instituto Mãe Terra, realiza ações coordenadas de segurança alimentar e nutricional junto a povos e comunidades tradicionais do Sul da Bahia. A ideia é sensibilizar quanto à relevância da produção e consumo de produtos da sociobiodiversidade local e de plantas alimentícias não convencionais, por meio de assistência técnica humanizada.

Centro Comunitário Sustentável – Projeto da ONG Um Teto Para Meu País, tem como foco os temas de formação comunitária, segurança alimentar e acesso à água em Ribeirão Preto (SP), com os projetos de sede para capacitação e organização comunitária; horta comunitária; sistema de captação de águas pluviais; banheiro; e rede de esgoto setorizada.

Co-criação de tecnologias para a agricultura familiar – Iniciativa do Núcleo de Agroecologia da Universidade de Brasília que busca fortalecer a inovação com autonomia e soberania dos/as agricultores/as, favorecendo práticas de uma agricultura sustentável com aumento da produtividade e inserção mercadológica.

Escola Itinerante de Agroecologia – Projeto em execução em Careiro (AM) pela Casa do Rio e tem como objetivo oferecer cursos e assessoria técnica em sistemas de produção agroflorestais. Visa à produção de alimentos saudáveis, garantia da segurança alimentar, ampliação da renda familiar e melhoria da qualidade de vida de pequenos/as agricultores/as familiares, com recuperação de áreas degradadas e redução do desmatamento.

Fábrica Social – Iniciativa do Instituto Iti, viabiliza a produção de máscaras hospitalares e de uso social em Itabira (MG) e cidades vizinhas. 50 mulheres em situação de vulnerabilidade social foram qualificadas no ofício de costura, recebendo um salário e ajuda de custo pelo trabalho desenvolvido.
 
Fossas Sépticas Ecológicas – Desenvolvidas pela Fundação Odebrecht em diversos municípios do Sul da Bahia, seguem um modelo de saneamento rural inovador, de baixo custo e fácil instalação. A ideia é sanar o déficit de saneamento na região, onde 50% dos habitantes estão no campo e é comum o lançamento superficial do esgoto in natura.
 
Modelos de negócio de empreendimentos econômicos solidários geridos por mulheres – Desenvolvidos pelo Núcleo de Inovação Tecnológica da Universidade de Brasília, são organizados por mulheres em situação de vulnerabilidade social do Distrito Federal e entorno, promovendo geração de renda e trabalho.
 
Observatório dos Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina – Criado pela Fundação Oswaldo Cruz, reúne três grupos de populações tradicionais (quilombolas, guaranis e caiçaras) dos municípios de Paraty e Angra dos Reis (RJ) e Ubatuba (SP) para o desenvolvimento de soluções territorializadas, baseadas na ecologia de saberes visando à garantia de direitos.
 
Projeto Médicos de Rua – Da Associação Médicos do Mundo, cuida da saúde de grupos vulneráveis, como moradores de rua, LGBTQI+ e mulheres vítimas de violência e seus animais. A ideia é devolver a saúde, o bem-estar, a dignidade e a esperança a essas pessoas, por meio da entrega de kits de higiene e marmita, atendimento médico e exames, psicólogos/as, assistentes sociais, serviços veterinários e até advogados/as. 
 
Selo Social – Programa de Territorialização e Fortalecimento dos ODS – Desenvolvido pela Associação Instituto Selo Social, possibilita o desenvolvimento local ao mobilizar e integrar empresas, órgãos públicos e organizações da sociedade civil em prol do bem comum. O processo inclui treinamento e qualificação para o desenvolvimento de projetos sociais alinhados aos ODS, que ao final são certificados.
 
Um total de 20 soluções inovadoras já foram selecionadas pelo GT Agenda e pelo IDS nos editais de 2019 e 2020. Com as deste ano, já são 30. “Em todos os editais recebemos sempre propostas de todas as regiões do Brasil, algo que muito nos alegra. Estamos diante de um grande potencial transformador das realidades locais com projetos voltados para solucionar os mais diversos tipos de desafios, tais como limpeza de praias com voluntários, de educação ambiental, de valorização de cultivo e consumo de plantas alimentícias não convencionais (PANCs), de fortalecimento da agricultura familiar, de geração de renda para mulheres em situação de vulnerabilidade social e econômica, de defesa de povos tradicionais, entre outras soluções” afirma Guilherme Checco, coordenador de Pesquisas do IDS.
 
As propostas foram analisadas por uma banca de especialistas formada por representantes de organizações do GT Agenda 2030 e dois convidados externos. Pelo GT, participaram Debora Mateus Lima, assistente de Projeto na área de Acesso à Informação na Artigo 19; Djonathan Gomes Ribeiro, assistente de pesquisas e projetos do IDS; Alice Junqueira, integrante do coletivo Clímax Brasil; Liandro Lindner, jornalista, professor universitário, membro da coordenação colegiada da Parceria Brasileira contra a Tuberculose e da Associação Brasileira de Redução de Danos; e Zysman Neiman, pesquisador da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), coordenador da Cátedra Sustentabilidade Unifesp e presidente do Conselho Curador do Instituto Physis – Cultura & Ambiente. Como externos, atuaram Emiliano Graziano, fundador e secretário executivo do Instituto Fome Zero; e Bianca Naime, gerente de Inteligência em Projetos na Agência São Paulo de Desenvolvimento (ADE Sampa).
Projeto Centro comunitário sustentável | Imagem: divulgação.

Fonte: Micheline Batista | GT Agenda 2030 | 30 abril 2021.

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