Conheça as ideias daqueles que não enxergam futuro no desenvolvimento sustentável da ONU e apostam no decrescimento da economia

Em meio à construção de ambientes de colaboração da comunidade, me deparei com um  tema muito diferente de tudo o que já tinha lido sobre sustentabilidade, o decrescimento. A princípio, ir contra o desenvolvimento sustentável não fez sentido para mim por modus operandi, mas decidi parar um pouco para entender melhor.

A seguir vou compartilhar minhas impressões sobre as ideias do decrescimento, conhecido internacionalmente como degrowth, e iniciar um diálogo construtivo.

O decrescimento

Segundo o Irish Times, o decrescimento é uma redução planejada do total de energia e material utilizado para entrarmos em equilíbrio com os limites de nosso planeta. Lembrando que já usamos mais de 1 planeta em nossas atividades. Os apoiadores desse conceito acreditam que existe uma forma melhor da economia funcionar.

Eles ressaltam que os países ricos consomem em demasia e a produção de energia renovável e a implementação de práticas sustentáveis não conseguem acompanhar esse ritmo tão rápido para compensá-lo. Por isso, o decrescimento não acredita no desenvolvimento sustentável e trás algumas ideias para mudar a forma como o mundo opera.

Produção e consumo de energia

Um dos principais focos de trabalho da economia proposta pelo decrescimento é o combate à produção em massa e o rápido descarte de produtos pouco duradouros. Junto a isso, reduzir todo o processo de extração, produção e transporte que exige grande demanda de energia (atividades que contribuem muito para o aquecimento global e poluição atmosférica devido às emissões de gases estufa e poluentes).

Outro argumento que enfatizam para a redução do crescimento econômico é acreditar que o aumento do PIB – Produto Interno Bruto beneficia somente os que estão no topo da cadeia, ou seja, os mais ricos.

Equidade

A solução proposta pelo decrescimento é a equidade, dividir o que já existe e manter a economia sem crescimento, pois já vivemos em uma economia abundante.

Aumentar o salário do trabalhador e reduzir sua carga horária e contratar mais funcionários para compensar a demanda de trabalho. Com isso, aumentar a tributação para arrecadar mais para serviços públicos em atividades para o bem-estar da população, como saúde, educação, centros comunitários e parques. Eles chamam de economia por e para os 99 por cento.

Com isso, os economistas do decrescimento acreditam que será possível conter as mudanças climáticas e propiciar uma vida mais justa e ecológica, livre do crescimento irracional.

Nunca pensei dessa forma, porque…

Logo de cara é possível perceber que são ideias utópicas e que não funcionam. Elas foram criadas por profissionais que não são da execução, não estão no dia a dia do fazer acontecer, das trocas, das negociações, das relações entre comunidades e países e, por isso, não entendem as premissas básicas de como funciona o mundo. Na Holanda, criaram um manifesto em prol dessa economia, mas somente o perfil de acadêmicos assinaram…

Economia de decrescer

A solução proposta de reverter o ritmo da economia, de produção e consumo da sociedade, no geral, seguiu uma lógica simples de diminuir a exploração dos recursos do planeta. A ideia parece fazer sentido na teoria, mas a pandemia mostrou na prática, claramente, como essa lógica não funciona.

A redução do consumo, da produção, a paralisação das atividades do comércio e de algumas indústrias gerou um caos social. Muitas pessoas perderam emprego e renda, muitas empresas faliram e famílias hoje sobrevivem de doações e auxílios. Isso não é uma economia que distribui prosperidade.

Produção, consumo e investimentos

A indústria somente produz aquilo que já foi validado no mercado, ou seja, um certo volume de pessoas ou organizações querem comprar a solução. O decrescimento está correto em focar nessas atividades, pois são os principais fontes de impacto negativo. Culpar a população mais rica pela maior parte dos impactos também faz sentido, não porque são ricos, mas porque a riqueza vem do constante giro da economia, da grande produção e consumo e de soluções de maior valor agregado. Então, onde há mais riqueza, há mais trocas, há mais soluções de grande valor, há mais iniciativas e, por isso, há mais impacto.

É um ciclo que mantém a geração de riqueza e ao mesmo tempo sua distribuição por meio de emprego e renda e esse giro está afetando negativamente a vida no planeta. Então não é somente e simplesmente decrescer, pois não é assim que funciona o fluxo de trocas humanas. Veja a pandemia, é uma situação real da economia reduzindo o giro, decrescendo, e na prática quais foram os resultados? As organizações e as famílias menos preparadas não conseguiram se manter financeiramente e quebraram. Milhões de pessoas perderam emprego pelo mundo e as populações mais pobres passam fome.

Sem o crescimento não há dinheiro de investimento. Sem isso, como a humanidade vai manter pesquisas? Novas soluções precisam de investimento. Veja o que descobriram durante a pandemia, em 2020, a bateria de nanodiamante, uma fonte infinita de energia que recicla lixo nuclear e é em si 100% reciclável. Como você acha que eles conseguiram chegar à essa pesquisa? Com dinheiro de investimento, que só existe pelo crescimento da economia.

Se essa tecnologia der certo, ela estará resolvendo o problema global de geração de energia, limpa, renovável e segura. É a solução para o aquecimento global, poluição atmosférica, sonora e do meio ambiente. E poderá trazer grandes avanços na ciência como um todo.

Então, acredito que vale mais crescer para conseguir investir em soluções disruptivas como a bateria de nanodiamante, que resolve inúmeros problemas globais ao mesmo tempo, mesmo que se gere impactos ao longo do caminho, pois depois eles poderão ser compensados e reparados. Já no decrescimento não há dinheiro de investimento e incentivo à criação de soluções. O país que vivia o decrescimento é Cuba. Ele é considerado o país mais sustentável do mundo, mas porque não tem grande produção, vivia uma economia estagnada, conhecida internacionalmente por não produzir nem sabonetes para a própria população. Ao meu ver é um absurdo um Estado manter esse nível de vida para seus cidadãos.

Sobre dividir o bolo

Para quem entende de economia e já fez as contas, dividir o bolo da economia abundante para toda a população global não se sustenta nem por um ano. A economia somente é abundante porque ela cresce constantemente e o bolo vai crescendo e sendo distribuído ao mesmo tempo. Então, a questão de aumentar salários e reduzir a carga horária e contratar mais funcionários é ficção. A pandemia mostrou, as empresas quebram, não adianta sonhar com o mundo ideal. O que vale é o mundo real.

Nem se fala o aumento da tributação para inchar ainda mais o Estado, que mal consegue cuidar de sua própria gestão vai cuidar do bem-estar social? O Estado é ineficiente, não foi feito para executar. Imagina ter a cada 4 anos uma gestão que constrói e destrói, depende da vontade do diversos interesses sociais e deixa a população sempre na esperança e desesperança. Isso não é sustentável! Os serviços são mais qualitativos quando há livre concorrência da iniciativa privada ofertando soluções e nunca o Estado deve ofertar solução, já que ele sempre é uma concorrência desleal e monopolista. Ele deve assumir papel de fiscalizador e maestro para orquestrar o desenvolvimento dos talentos de seu país.

Modus operandi do ser humano

A base de todos os problemas globais é o ser humano. Não sei se vocês já perceberam, mas estamos bem longe de sermos seres altamente racionais. Somos muito irracionais e comento um único ponto que já deixa claro por que o mundo é como é: pense comigo, quando vamos conquistando um certo padrão de vida, conforto, bem-estar, qualidade de vida, alimentação diferenciada, experiências de vida diferenciada, viagens, entretenimento, diversão, até mesmo mais proximidade com a natureza, me fale qual ser humano quer reduzir esse padrão de vida para um padrão que ele mal consegue viajar ou comer seus pratos preferidos? Padrão de vida. Me conte quantos amigos seus estão dispostos a reduzir seu padrão de vida de forma drástica, para combater o clima? Você está?

Se sua resposta foi “sim, estou”, ou “sim, eu já reduzi”, você é uma minoria beeeeeem pequena da população global. A massa quer aumentar o padrão de vida e cada vez que aumenta, vai querendo aumentar mais, vai experimentando os confortos da vida, as viagens, os prazeres e vai querendo viajar mais, comer melhor, viver melhor e essa é a armadilha da vida, esse é o mundo real. Não é só uma questão de propaganda e “lavagem cerebral”, o ser humano é assim, egoísta, vaidoso e poucos são os que realmente conseguem a paz e a felicidade, porque é extremamente difícil. (Para os curiosos, busquem saber mais sobre estoicismo, a filosofia dessa busca de paz e felicidade sob qualquer circunstância.)

Visto o modus operandi do ser humano, não acredito ser sustentável querer lutar contra ou impor sobre a vida de outros. Penso que devemos fazer como a biomimética já nos ensinou, imitar a natureza, ou seja, estar ciente de como a natureza humana funciona e criar soluções a partir disso.

O decrescimento, ao meu ver, surgiu de pessoas que querem tanto o bem do planeta, a continuidade da vida e o bem-estar das pessoas, querem tanto, que acabam por passar por cima da natureza humana e de seu modus operandi. Percebo um alarde, um desespero por mudança louvável dessa comunidade, mas esse comportamento não é bom, seguro ou saudável. É necessário entender como que as atividades funcionam para poder criar soluções. É necessário entender como funcionam os processos da economia, saber que existe um determinado tempo para as pessoas irem absorvendo mudanças, ainda não somos como computadores que recebem pendrives e, pronto, já instalam programas, atualizam softwares em questão de segundos. Somos muito mais lentos e complexos e nós mesmos precisamos nos entender para não gerar um esforço tremendo, um conflito desnecessário e insustentável que é impor na vida alheia o nosso modo de vida ou nossa opinião.

Sigamos o exemplo da biomimética e vamos usar de bilhões de anos de formação e conhecimento natural em favor da ciência e da vida. Vamos pouco a pouco usando do modus operandi humano e aproveitar as trocas para ir mudando os valores durante essas trocas, valores de respeito ao meio ambiente, à mão de obra envolvida. A pandemia foi uma desgraça na vida de muitas pessoas, mas ela fortaleceu o valor da vida, do tempo, da humanização das relações. O olhar mais otimista sobre o mundo é mais saudável, ajuda na busca de soluções e na construção de parcerias e tribos de colaboração. Buscar culpados é perda de tempo, pois os culpados somos nós mesmos e nós mesmos somos os responsáveis pela solução. A solução é ir resolvendo nossos problemas pessoais e comunitários de forma cada vez mais respeitosa à vida no planeta.

Propósito maior

E para ir resolvendo os problemas com mais respeito, é necessário termos mais ambição por um propósito maior de vida. Como assim? Vejam a Dinamarca e a Finlândia, países considerados no topo do ranking de países mais felizes do mundo, ainda sofrem com o problema do alto índice de suicídio e uma população que se preocupa em demasia com a grama do vizinho estar mais verde… Esse é um tipo de pensamento de pessoas que não tem um propósito maior de vida. Tente lembrar, quais os grandes feitos da Dinamarca e Finlândia no mundo? Você consegue pensar em algo? Em geral, as pessoas poderão pensar que nesses países há mais qualidade de vida. Mas os grandes feitos do mundo com mais relevância global, querendo ou não, são dos EUA, e por quê?

Porque eles crescem e investem absurdamente em P&D, já chegaram à lua e agora querem chegar em marte! Mesmo sendo um país extremamente populoso, serão os primeiros a imunizar todos os seus cidadãos da COVID-19 no mês que vêm! Como? Eles dão liberdade e investem na iniciativa privada criar soluções e, devido à isso, farmacêuticas surgiram, cresceram e, durante a pandemia, foram as primeiras a criar vacinas da COVID-19 no mundo. Sem contar com as principais empresas de tecnologia do mundo. E, agora, contam com a incrível descoberta da bateria de nanodiamantes, que poderá reverter grande parte dos impactos negativos e regenerar o meio ambiente.

Então vejo que o decrescimento é um olhar pouco sistêmico, limitado, que desconsidera os processos na prática e se mantém muito na teoria, imaginação e soluções simplistas que não funcionam. É uma ideia dentro de uma bolha que precisa entrar em contato com outras bolhas para ampliar a visão de mundo. Por isso, parece ideia de girino, um ser que precisa se desenvolver mais para poder entrar em contato com novas águas e ambientes.

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