Psicóloga convida à reflexão sobre como o processo da pandemia irá afetar na vida das pessoas, por meio da mudança de rotina, a solidão, os valores e nossos afetos.

*Por Lenah Sakai | 08 abril 2020 | Collaborative Progress License >> Ouça o audiocast: Google, Spotify

Veruska Ghendov psicóloga saúde mental
Veruska Ghendov

Veruska Ghendov é uma psicóloga, especialistas na área de saúde mental, que foi reconhecida, recentemente, como profissional em destaque no município de São Paulo pelos serviços prestados e qualidade de conteúdo compartilhado por meio online em redes sociais e em programas de TV. Para ela, as pessoas mudarão com a pandemia COVID-19 que vivemos atualmente. 

Por meio de um vídeo ao vivo, a psicóloga convida a todos a uma reflexão sobre nossa vida pós-pandemia. Para ela, teremos que absorver 3 mundos diferentes em um curto período de tempo: nossa vida antes, durante e pós-pandemia. Confira a seguir a visão dessa psicóloga experiente.

Contexto da pandemia

Nossa vida antes da pandemia seguia uma rotina, com repetições mecanizadas e, de repente, mudou tudo, principalmente, devido à necessidade de isolamento e quarentena. O que era afeto antes não é mais hoje, abraçar uma pessoa hoje pode ser um sinal negativo, antes era demonstração de afeto. Não cuidar de determinados detalhes pode colocar nossa vida em risco e a vida de outras pessoas e de quem amamos em risco. 

O mundo virtual foi instalado do dia para a noite, seja para quem tinha facilidade ou não, agora pessoas precisam trabalhar de forma diferente, crianças passaram a ter aula de casa, rotinas foram quebradas e adaptar-se a tudo isso de forma tão rápida é algo muito difícil. E sem contar no lado econômico-financeiro. Os pontos que Veruska Ghendov quer focar são os processos mentais, trabalhando 24 horas com as mudanças. Não deu tempo para as pessoas processarem o que aconteceu e mais mudanças virão dentro dos próximos dias.

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Mudanças

Para Veruska, depois que passar toda essa pandemia, nossos processos mentais irão mudar. Nós já não somos mais os mesmos. De processos momentâneos e sequenciais para processos acelerados de associação de muitas coisas, nossa mente irá se acostumar a trabalhar virtualmente e poderemos modernizar nossa forma de trabalhar e impactar não somente localmente no período pós-pandemia.

Tecnologia e mundo virtual

Todo nosso conhecimento sobre as tecnologias virtuais, a internet, será útil daqui pra frente, todas as resistências que se tinha terá que ser modificado. Pessoas que agora percebem que trabalhar em casa é uma rotina possível, organizações que antes possuíam dificuldade em se adaptar à tecnologias virtuais precisaram se adaptar a elas para sobreviver. A mente das pessoas ampliou e elas não serão as mesmas.

Mas a psicóloga avisa: “no pós-pandemia, não tente se encolher de novo à realidade anterior, a realidade é outra, estamos em outro momento, mentalmente falando.”

Valores 

As pessoas começaram a perceber a importância de nos preservarmos e de nos cuidarmos. Veruska Ghendov se lembra de entrevistas durante o carnaval na qual pessoas diziam o quanto achavam que era importante estarem em meio à multidão, o quanto estavam felizes com o contato físico com muitas pessoas em aglomerações, se envolvendo relacionamentos afetivos de forma rápida, com tanta gente. Hoje, essas pessoas percebem o quanto tudo isso pode oferecer um risco de adoecerem.

Com a rotina de antes, por falta de tempo, muitas pessoas não cuidavam de necessidades básicas de saúde, que hoje aprendemos às pressas para sobreviver a uma situação de pandemia. No próximo momento, as pessoas dificilmente irão esquecer, porque está sendo um processo traumático, toda essa organização, limpeza e desinfectar necessária.

“Antes nossa desculpa era que não tinhamos tempo. Agora estamos isolados pensando no nosso tempo. O seu tempo depois que passar a pandemia não será o mesmo, porque você percebeu que perdeu muito tempo de viver com qualidade com aqueles que você ama.”

Os processos de enterros e falecimentos, as famílias que não poderão enterrar seus entes queridos, aqueles que não puderam se despedir, porque não tinham tempo para desenvolver afeto. Como será isso depois que passar a pandemia? Será que as pessoas vão se permitir de não dedicar tempo presencial a quem amam? 

“Nós vamos trabalhar mais virtualmente para poder viver mais presencialmente.”

Após a pandemia, os negócios precisarão se reinventar, pois as pessoas aprenderam a pedir os produtos virtualmente. Elas vão valorizar seu tempo presencial.

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Afetos

Em seus plantões virtuais durante a pandemia, percebeu uma quantidade imensa de pessoas que terminaram seus relacionamentos afetivos, porque não sabiam lidar com momentos de dificuldade. Quando essa pandemia passar, as pessoas terão uma percepção diferente sobre seus afetos. 

Veruska alerta sobre a importância da escolha de pessoas que valorizam você e seu afeto. Ela acredita que nosso olhar sobre afetos mudará muito devido à esse tempo de solidão, isolamento e quarentena que estamos vivendo. Para ela, esse tempo sozinhos nos permitirão uma reflexão melhor sobre quem nós gostaríamos perto de nós e dedicaremos mais tempo às pessoas escolhidas para fazerem parte de nossa vida.

Com essa desaceleração do dia a dia, as atitudes ficarão mais claras e poderão nos ensinar muito sobre a gratidão e a ingratidão. Antes, com a correria e mundo agitado, as pessoas deixavam passar despercebido a ingratidão humana. Mas agora, em isolamento, passamos a olhar diferente com aqueles que têm ações de gratidão ou ingratidão conosco. O tempo que era tirado de nós dificultava ler a realidade e fatos das situações.

Veruska desabafa que está cansada de ver gente que convive com ingratos e nem percebe. Mas ela se alivia, pois com a pandemia isso pode mudar e essas pessoas poderão perceber melhor quem vale a pena para estar em suas vidas.

Devido à essa nova percepção, as relações humanas já não serão as mesmas, pois com essa sensibilidade para a gratidão, as pessoas aprenderão a ler melhor as outras pessoas, olhando mais nos olhos, reconhecendo sentimentos verdadeiros sem ser necessário o toque mecânico. Para Veruska Ghendov, as pessoas irão perceber a importância de se estar sozinho e em conjunto, pois a empatia pelo próximo estará mais fortalecido.

“O que isola você é sua mente. Não se permita ficar isolado dessa forma. Nós sabemos que podemos ficar conectados por meio do smartphone ou do computador.”

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Dica para aproveitar das mudanças devido à pandemia

Na visão de Veruska, essa pandemia nos melhorou como seres humanos e ela trás algumas dicas para aproveitarmos dessa situação para darmos continuidade à nossa vida da melhor forma possível.

  1. Pare de reclamar e construa uma nova história

Não reclame da vida ou da pandemia. Reclamações nos adoecem, baixa nossa imunidade, nos deixa depressivos e desgastados, e não resolve problemas. Busque entender o aprendizado dessa pandemia e mude o que precisar mudar na sua vida para construir um futuro diferente. Invista tempo construindo e não reclamando.

  1. Evite a negação

O ser humano possui uma mania frente às dificuldades de negação da realidade. Use a experiência de hoje para nos tornarmos mais fortes e construir o futuro. É necessário cair a ficha de que o mundo não é mais o mesmo, a vida não será a mesma e haverá dificuldades para adaptar às mudanças, mas não regrida na sua vida.

  1. Afeto versus pandemia

O que nos conecta, nossos afetos, é muito maior que a pandemia que nos separa. Invista em seus afetos. Aprendemos que não é necessário o toque físico para demonstrar afeto e ajudar o próximo. Ajude os necessitados. Dividindo todos podemos sobreviver.

  1. Não seja escravo

A quarentena pode estar te libertando de uma escravidão que você não percebia. Você está revendo sua vida emocional, familiar, social, prioridades e seu tempo. Construa uma nova vida.

“Se você percebeu as mudanças, está valorizando mais seu tempo, seus relacionamentos afetivos, você já está construindo um futuro diferente.”

Veruska Ghendov

Confira o vídeo completo de Veruska Ghendov.

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8 Comentários

  1. A matéria parece ser uma luz que puxa a gente para fora da bolha. Chaqualha com a nossa mente que está adormecida na solidão. * siga, vá quebrar muros e portas vá viver outra eta. Vocé está viva , Deus te dará novas maravilhas pra viver um nono tempo.

    1. Author

      Que bom que o conteúdo a fez refletir e o conhecimento adquirido a libertou de alguma amarra, Benedita! Esse é um de nossos objetivos!
      Um grande abraço!

  2. Não consigo ter essa visão de que seremos melhores, passamos por várias outras pandemias, passado o período de choque, tendemos a voltar ao que sempre fomos. Nós humanos temos em nosso DNA a necessidade de contato físico, precisamos de experimentações sensoriais, nosso EGO no impulsiona a super valorizar o dinheiro, poder e sexo, isso impulsiona o mundo, são sensações primitivas que nos rege. Por um período curto ainda sentiremos os impactos, mas em breve td voltará a normalidade… Basta analisarmos outras crises, seja ela econômica tendo como vetores pandemias, guerras ou fraudes… Não gostamos de mudanças, elas serão mínimas…

    1. Author

      Obrigada por compartilhar seu ponto de vista! A diversidade nos enriquece!

      1. Eu acho que não vai mudar muita coisa. Só vai acentuar aquilo que já existe: continuaremos a viver sem liberdade, numa bolha. E mesmo aqueles com uma ótima condição financeira, vai ter que blindar o carro, pois a violência sim, essa vai se intensificar muito!
        Já não tínhamos mais relacionamentos “face to face” faz tempo por conta das redes sociais…
        Eu acho que é muito cedo para qualquer análise agora. como é um acontecimento novo para o mundo todo, não temos como prever nada. Tudo agora é mera especulação. Só quero deixar o meu ponto de vista muito particular…
        Bom acredito que não mudará nada .. os empregados vão continuar “escravos” de seus patrões ( sem liberdade para criar, pois estarão vivendo o sonho dos outros). E a hora que o comércio abrir, vai continuar a pedir seu fast food seja na empresa, seja no quarto do hotel ou na empresa. Vai continuar a frequentar o shopping e vai permanecer na bolha De sempre e sem liberdade.
        Essa opinião é o que sinto.

        1. Author

          Obrigada por compartilhar seu ponto de vista, Ana! O que comentaram pelas comunidades é que é bacana analisar outros eventos do passado, outras pandemias para verificar se houve mudanças. Não sei se algum historiador já fez essa análise. Seria interessante.

  3. Eu gosto de pensar que todos estamos tendo a chance de repensar escolhas. A Lei da ação e reação, escolhas tem consequencias, algumas boas outras não. Neste momento em que todos vivemos uma realidade comum, cada indivíduo sairá com um pensamento diferente, alguns terão uma mudança radical (como uma metamorfose), no outro extremo a mudança será mínima, e entre estes opostos existirão expectros distintos. Acredito que, de fato, as pessoas sairão diferentes em algum grau deste momento. A diferença entre cada grau de evolução de consciência individual e coletiva sobre o que merece mais ou menos valor em função do tempo de vida, dependerá, na minha opinião, da experiência vivida durante o período que perdurar o distânciamento, isolamento ou quarentena. Temos aqui, a oportunidade de nos reinvertarmos como seres humanos, sociedade, humanidade. Se está oportunidade será aproveitada ou não? Ai… é outra história!

    1. Author

      Obrigada por comentar sua opinião, Laércio! Concordo que cada pessoa irá agir a seu modo e isso torna a previsão um mistério. Não sei se é mais claro para os antropólogos. Espero que eles compartilhem sua opinião!

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