O suposto “couro ecológico de origem animal” fortalece uma propaganda que faz com que o consumidor se sinta como se estivesse fazendo um bem #Opinião #ImpactoAmbiental

*Por David Arioch | Vegazeta | 10 jan 2020

Há alguns anos a indústria de couro, preocupada em perder mercado, começou a promover a produção de “couro ecológico de origem animal”, como uma suposta alternativa sustentável e consciente, já que o processo de produção desse material, diferente da tradicional indústria de couro, supostamente envolve o uso de produtos químicos menos agressivos, além de demandar menor quantidade de água e energia elétrica.

Tudo isso fortalece uma propaganda que faz com que o consumidor se sinta como se estivesse fazendo um bem, contribuindo com o meio ambiente, ao comprar esse tipo de produto. Porém ainda é um couro com poucas diferenças do velho couro e, claro, todo o processo até a retirada do couro é praticamente o mesmo de uma indústria convencional.

Ou seja, animais têm suas peles arrancadas, e, dependendo da espécie, somente para atender a demanda da indústria de vestuário e acessórios. Até porque nem todos os animais são relevantes para a indústria alimentícia, já que há critérios a se considerar.

Defensores do tal “couro de origem animal ecológico” dizem que o produto é amigo da sustentabilidade, já que não é curtido, por exemplo, com metais pesados como o cromo, que é extremamente poluente. Contudo, pensando somente por esse lado, incorremos no erro de ignorar fatos importantes. Há impacto ambiental na criação de animais explorados também com essa finalidade, já que eles demandam área, água e precisam ser alimentados.

Produzindo esse “couro ecológico” também incentivamos a morte de animais por um capricho, por um desnecessário apego estético. Além disso, há inúmeras opções mais éticas e sustentáveis que imitam couro a partir das mais diferentes matérias-primas, inclusive resíduos do vinho e da laranja, além de fibras de abacaxi, maçã, cacto, etc.

Alguém pode alegar que não é a mesma coisa. Independente da veracidade disso, não seria insensato ter a oportunidade de não usar algo proveniente do cadáver de um animal e ainda assim insistir em fazê-lo? Sabendo que quando compramos couro também financiamos a morte de animais.

Mesmo quando o couro é apenas um subproduto, ainda assim estimula diversas cadeias industriais que envolvem a exploração animal, até porque quanto maiores as possibilidades de lucro, maiores são os níveis de exploração de uma espécie. Sendo assim, mesmo quem não come carne, por exemplo, mas não abre mão do uso de couro de boi, seja “ecológico” ou não, também financia privação, sofrimento e a morte não natural de animais nos matadouros.

Quando for procurar pelo chamado “couro ecológico”, que tem uso diverso no Brasil, certifique-se de que não seja um produto de origem animal.

Fonte: Vegazeta. Foto: iStock/PETA/Shutterstock

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2 Comentários

  1. Lamentável matéria!!!
    Dificilmente vamos ver uma matéria de um novo produto ou um novo conceito sem denegrir a imagem dos demais, o simples fato que publicar matéria criticando o outro é mais fácil do que vender o seu próprio produto.
    Busque informações, entenda a respeito do assunto antes de falar besteira, se não conhece sobre a indústria e mercado do couro apenas divulgue o seu produto.
    Eu poderia listar aqui várias informações, a quantidade de licenças e documentações necessárias que uma indústria precisa para trabalhar, sem falar que somente o Brasil gera diariamente em torno de 4,5 milhões de toneladas de couros somente de bovino, o que fazer com esse couro? Enterrar? O Curtume sim é uma indústria sustentável utiliza um subproduto do frigorifico e transforma em um produto nobre.

    1. Author

      Acredito que você não está respondendo pela razão e sim pela emoção, Sandro. Em nenhum momento o autor do artigo considera a indústria do couro menos profissional que outras. Ele está falando de toda a cadeia de produção de couro que poderá utilizar de outra matéria-prima, já que a criação de animais gera muitos impactos ambientais negativos.

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