Amor pelos animais motiva adoção de dieta sem carne e também é o fundamento que leva ao estilo de vida vegano, que zera consumo de bichos

*Adaptado de Deborah Bresser | R7 | 28 out 2019

São muitos os que levam o amor aos animais à mesa. Segundo a Sociedade Vegetariana Brasileira, 14% da população se declara vegetariana, estatística que representa um crescimento de 75% em relação a 2012, quando a proporção era de 8%. Significa que quase 30 milhões de brasileiros são adeptos à opção alimentar que, a princípio, bane a carne de qualquer refeição, qualquer tipo de carne. Alguns comem queijos e ovos. Outros nem isso. Não se alimentam de nada que saia andando, como já explicou Rita Lee. 

O mercado de alimentação percebeu que se trata de uma tendência que veio para ficar. O cenário aponta que 63% da população gostaria de reduzir o consumo de carne. Segundo a pesquisa Ibope e Kantar Wordpanel, 240 restaurantes brasileiros são veganos ou vegetarianos. Na 25ª SP Restaurant Week, que terminou neste domingo (27),  dos 250 participantes, 115 menus – de restaurantes a hambúrguerias – ofereceram opções vegetarianas. Dez menus traziam opções veganas.

Segundo Fernando Reis, CEO da Restaurant Week, a presença se deve ao público crescente de vegetarianos, o que amplia a demanda. “A curadoria do evento sempre indica aos restaurantes que façam pelo menos um menu vegetariano, que é uma tendência no perfil dos clientes em geral. Hoje, não é mais possível não oferecer um menu com esta especificidade”, comentou o executivo.

Até redes de fast food, quem diria, também estão de olho nesses consumidores. Criador do hambúrguer de picanha (Pic Burger), o restaurante The Fifties acaba de incorporar ao seu cardápio o Futuro Burger, hambúrguer de vegetais produzido pela foodtech Fazenda Futuro. Até então, as lojas do grupo ofereciam só o Veggie Burguer, hambúrguer vegetariano de soja, acompanhado de shitake na manteiga com alho poró, alface americana, cenoura ralada e molho grego à base de iogurte no pão preto. O ‘hambúrguer do futuro’ inclui ervilha, proteína de soja, grão-de-bico, cebola e beterraba, responsável pela suculência e pela cor que imita o sangue da carne.

Parece incoerente que alguém que tenha deixado de comer carne, principalmente pelo rastro de sangue derramado na ‘produção’ de animais para abate, possa se interessar por um hambúrguer de planta. A iniciativa certamente colabora para entraves de socialização que, muitas vezes, acompanham o vegetariano, especialmente no início do processo. 

Veganismo não é sobre comer; é sobre viver

vegano emiliano ator empreendedor
Emiliano virou empreendedor vegano

O veganismo, diferentemente do vegetarianismo, não é um movimento alimentar. “Veganismo não é apenas um estilo de vida, é um movimento, um posicionamento ético/politico que tem como objetivo a abolição, a libertação animal. Por esse motivo, não consumimos ou usamos quaisquer produtos (sejam roupas, alimentos, itens de higiene e beleza, etc.) com insumos de origem animal ou fabricados por empresas que fazem testes em animais ou patrocinam eventos que exploram animais”, explicam os administradores do VegAjuda, grupo no Facebook gerador de informações sobre o assunto, formado por Aline Barbosa, Anelucy Andrade, Camila M.Kila, Jhênnifer Custódio, Juliana Carvalho, Lú Lara, Maira Lewtchuk, Michele Brum Lopes, Michelle Duarte, Rodrigo Guglieri e Val Camis. 

A turma esclarece que o vegetarianismo diz respeito apenas à alimentação e a não consumir produtos de origem animal. Existem vários tipos de vegetarianos, como ovolacto-vegetarianos (consomem leite e ovos), lacto-vegetarianos (consomem leite), ovo-vegetarianos (consomem ovo). 

“De acordo com a The Vegan Society, o veganismo é uma forma de viver que busca excluir, na medida do possível e do praticável, todas as formas de exploração e de crueldade contra animais, seja para a alimentação, para o vestuário ou para qualquer outra finalidade. Não existe uma dieta vegana, pois veganismo não é referente apenas à alimentação; o tipo de dieta que os veganos adotam é a vegetariana estrita (sem ingredientes de origem animal). Há pessoas que primeiro se tornam vegetarianas e, depois de um tempo, ao se informarem melhor sobre a exploração que ocorre para produção do leite e ovos, viram veganas. É uma transição natural para quem está inserido neste contexto. Mas outras pessoas partem direto para o veganismo, muitas vezes ao assistir documentários ou outros materiais que os fazem perceber o quanto é errado causar sofrimento e morte aos seres sencientes.”

Foi o que aconteceu com ator Emiliano d’Avila, que virou vegano há 3 anos, e sua irmã, Joana d’Avila. Eles foram direto para o veganismo e acabam de transformar sua opção de vida em negócio.

Inauguraram, no início de setembro, em São Paulo, o restaurante e empório Vegamo. “O público vai encontrar alimentos tanto pra quem é light, como para quem é junkie. E no nosso empório há desde alimentos até produtos de higiene pessoal e beleza”, diz o ator.  

Emiliano conta que sempre teve uma relação afetiva muito forte com os animais, mas achava que explorá-los e comê-los era inevitável, fazia parte da cadeia alimentar e evolutiva do ser humano, que era preciso fazer isso.

“Mas há aproximadamente 3 anos, Natália, minha namorada, assistiu a alguns documentários sobre o veganismo e começou a me falar sobre o assunto. Quando eu fui pesquisar mais a fundo, percebi que eu era um grande alienado, fruto de uma sociedade que não foi educada na ética animal, nem ambiental. Eu me dei conta de que eu não apenas não precisava consumir produtos de origem animal, como não deveria, pois isso só prejudica a vida dos animais, o meio ambiente e a minha saúde“, revela. 

Vegamo tem empório com produtos veganos

Para o ator, a mudança de um hábito pode ser mais difícil do que a mudança de consciência. “Conquistar as pessoas pelo paladar é tão importante quanto conquistar pela informação. Muitas pessoas precisam sentir de fato que é possível e pode ser muito prazeroso ser vegano. E essa é uma das nossas missões.”

Não há limitações de idade para quem deseja se tornar vegano. O recomendado é buscar orientação de nutricionista especialista nesse público, que irá montar um cardápio ideal para a pessoa. “Tendo uma alimentação balanceada, incluindo cereais, leguminosas, verduras, legumes e frutas, é possível viver com saúde sem explorar animais, a partir de qualquer idade”, garante o pessoal do VegAjuda.

Fonte: R7.

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