energia elétrica Brasil

Utilizando o mesmo princípio à geração de energia em hidrelétricas, um casal de empreendedores da região sul do Rio de Janeiro criou a Unidade Geradora de Energia Sustentável (Uges) para a geração em caixas d’águas.

Trata-se de uma turbina compacta acoplada na entrada da água que chega da rua, transmitida pela empresa fornecedora. É instalada no local onde fica a boia da caixa d’água. Ao passar pela Uges, que está conectada por fios elétricos a uma unidade transformadora e acumuladora de energia, a energia cinética da água vinda das tubulações é convertida em mecânica e, depois, em energia elétrica.

Essa é armazenada por um banco de baterias, instalado em outro sistema, chamado de unidade acumuladora. As baterias são semelhantes às utilizadas na captação de energia solar e eólica. Ao final, a energia é distribuída para a residência.

“Quando começamos o projeto, há 12 anos, os ensaios davam 1.16 watts por litro. Depois, chegamos a 1.94 watts. O produto que temos desenvolvido até agora está entre 28 e 34 watts, depois de ter pressurizado a turbina para maior capacidade em relação a litros”, explica o inventor Mauro Serra, que mantém uma microempresa com a esposa, a engenheira mecânica Jorgea Marangon. Eles comercializam um chuveiro a gás de pequeno porte, que também desenvolveram, o qual recebeu o 4º Prêmio Brasil de Meio Ambiente em 2009.
Até agora, a Uges não teve o mesmo reconhecimento. De acordo com Mauro Serra, o produto está em fase final de desenvolvimento e faltam recursos para finalizá-lo e produzir para o mercado. “O trabalho está parado. Quem sobrevive com uma economia dessas? Infelizmente, estamos com 75% do trabalho concluído e precisamos que algum investidor brasileiro se interesse”, lamenta. Caso contrário, “vamos ter que apresentar para interessados em outro País”.

Ele conta que já procurou informações sobre financiamento e que esse tipo de investimento, tido “como baixo” pelas instituições do setor, “nem entra em bancos como o BNDES”. “Vamos ser realistas, vivemos em um País que não incentiva energia limpa. Se você comparar o impacto ambiental dessas prestadoras de energia com iniciativas limpas como essa, os danos são enormes. Há muitos interesses econômicos envolvidos”, diz. A ausência de uma política brasileira que apoie e incentive mais investimentos em energias renováveis também foi alvo de crítica pelo pesquisador.

O produto já contou com recursos do edital Apoio a Modelos de Inovação Tecnológica e Social, da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), e foi patenteado no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi). A ideia do casal também ganhou o mundo pela internet, gerando notícias em diversos portais de notícias, como o da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), o que despertou o interesse de engenheiros e curiosos. Até em sites que narram lendas da internet a ideia foi parar. “Tem gente que não acredita que isso é possível. Mas a verdade é que o homem nunca se preo­cupou de fato em utilizar uma energia que pode ser reaproveitável. Basicamente é isso que fizemos: captamos uma energia que já é gerada o tempo inteiro. E se você começar a observar os movimentos, tudo pode gerar energia limpa e renovável”, explica Mauro Serra.

Benefícios
Gerar energia a partir da pressão da água não é inovador. Inovação está em adequar o consumo de água de cada cidadão, com um gasto médio de 200 litros por dia, e tirar energia disso. A média do consumo é do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento do Ministério das Cidades e da Sabesp. No entanto, o consumo por pessoa pode ultrapassar os 200 litros/dia, dependendo da região – enquanto a Organização Mundial da Saúde recomenda um consumo médio de até 100 litros. A dupla de inventores lembra que a iniciativa pretende estimular a redução, sem desperdício, para obter um maior rendimento de energia possível.

Sem revelar qual o valor do investimento, Mauro Serra afirma que o sistema tem baixo custo de produção e manutenção. “Não há limitações para sua instalação, cabendo em qualquer caixa d’água. O volume de energia gerado será maior em caixas com maior fluxo, em edifícios e comércios como restaurantes, lanchonetes e condomínios”, diz o inventor, que compara com outras fontes renováveis e garante que seu produto tem custo amortizado entre 12 e 18 meses, enquanto a energia solar leva de seis e oito anos.
Em comparação com as hidrelétricas, tem baixo impacto ambiental, baixo custo e não apresenta perdas ao longo do trajeto de abastecimento. A Uges pode ainda levar luz a comunidades que estão em locais de difícil acesso e com alto custo de instalação.

Deborah Moreira – Imprensa Seesp

Fonte: FNE.

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